quinta-feira, 19 de março de 2015



São José, o homem justo por excelência, o glorioso esposo de Maria e pai legal do Filho de Deus, é certamente um dos santos mais venerados pela piedade popular.

 Há certos homens, ao longo da História, cuja grandeza ultrapassa qualquer lenda e esgota mesmo a mais rica capacidade de imaginação. Tais homens parecem ser objeto de uma especial predileção de Deus, o qual Se compraz em adornar cuidadosamente suas almas com o brilho das virtudes e de raríssimos dons. Predestinados desde o nascimento, sua vida se desenvolve em meio a aventuras extraordinárias e assombrosas que ora lhes favorecem o desempenho da missão, ora levantam-se como obstáculos intransponíveis, dando ocasião a lances de confiança e audácia que tornam suas pessoas ainda mais dignas de admiração.
No Antigo Testamento encontramos narrativas dessas a cada passo.

Extasiamo-nos diante do poder de um Moisés, que com o simples gesto de levantar seu cajado dividiu as águas do mar em duas gigantescas muralhas líquidas; ou perante a serena autoridade de Josué, que não duvidou em dar ordens ao próprio sol para deter o seu curso. Mais adiante, impressionam-nos a força de Sansão, ao carregar nos ombros as portas de Gaza, e o zelo ardoroso do profeta Elias, fazendo cessar a chuva durante três anos. A todos eles a Providência Divina concedeu o domínio sobre a natureza, essa fé que move montanhas e as faz saltar como cabritos...Tais prodígios sublinhavam o poder justiceiro do Criador e visavam, sobretudo, educar uma humanidade manchada pelo pecado original, sobre a qual ainda não se haviam derramado os benefícios da Redenção.
Uma nova economia da graça
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Em todas as obrigações que, como pai, 
lhe competiam, São José praticou de
forma excelsa a virtude da fortaleza.
Chegada a plenitude dos tempos, as manifestações da onipotência divina, longe de diminuir, atingiram um auge de profundidade e esplendor.
No Novo Testamento, porém, a grandeza se esconde muitas vezes sob os véus da comum existência humana, e isso é permitido por Deus para aumentar nossos méritos e acrisolar ainda mais nossa fé.
O exemplo paradigmático dessa nova economia da graça, nós o vemos realizar-se num varão cuja vida transcorreu na humildade e no silêncio, mas que mereceu ouvir dos lábios do Homem-Deus o doce nome de pai! Sem dúvida, Moisés, ao abrir o mar em duas partes, ou Josué, ao parar o sol, marcaram de forma indelével as futuras gerações. Mas, o que é ter sujeitado os elementos, criaturas inanimadas, diante da honra suprema de ser obedecido por Aquele de quem canta o salmista: "Mais forte que o bramido das ondas caudalosas, mais poderoso que o rebentar das vagas, é o Senhor lá nas alturas" (Sl 92, 4), e que mais tarde foi visto por Malaquias quando disse: "Para vós, que temeis o meu nome, nascerá o Sol da Justiça trazendo salvação em suas asas" (Ml 3, 20)? O que significa ter carregado às costas as portas de Gaza, em confronto com a glória de estreitar nos braços Aquele que afirmou de Si mesmo: "Eu sou a porta das ovelhas" (Jo 10, 7)? Caberá alguma comparação entre o profeta que fez parar a chuva e o patriarca cujas preces aceleraram a "chuva do Justo vindo das alturas" (cf. Is 45, 8)?
Uma das mais altas vocações da História
São José, o homem justo por excelência, o glorioso esposo de Maria e pai legal do Filho de Deus, é certamente um dos santos mais venerados pela piedade popular. No entanto, quase só ouvimos falar dele como "o artesão de Nazaré" ou "o padroeiro dos operários". Esses títulos são muito legítimos, mas estão longe de nos dar idéia do píncaro de santidade  ao qual Deus houve por bem elevá- lo. Ele nunca será devidamente conhecido e venerado por nós se - repetindo em nossa época a triste cegueira dos habitantes de Nazaré - o considerarmos apenas como o pobre carpinteiro da Galiléia. Para não nos tornarmos culpados de um erro que poderia ser qualificado de "calúnia hagiográfica", procuremos analisar a verdade a respeito deste varão destinado a uma das mais altas vocações da História.
Deus escolhe sempre o mais belo
Deus Todo-Poderoso, para quem "nada é impossível" (Lc 1, 37) e que tudo governa com sabedoria infinita, possui algo que poderíamos chamar de sua "única limitação": ao criar, Ele nada pode escolher de menos belo e perfeito, ou que não seja para sua glória. Desde toda a eternidade, ao determinar a Encarnação do Verbo, quis o Pai que - apesar das aparências de pobreza e humildade através das quais Se mostraria, e que contribuiriam para sua maior exaltação - a vinda de seu Filho ao mundo se revestisse da suprema pulcritude conveniente a Deus. Assim, dispôs que Ele fosse concebido por uma Virgem, concebida por sua vez sem pecado original, unindo em Si as alegrias da maternidade à flor da virgindade. Porém, para completar o quadro, tornava-se necessária a presença de alguém que projetasse na terra a própria "sombra do Pai". Para tal missão Deus destinou José, ao qual poderíamos aplicar as palavras da Escritura, referindo- se a seu antepassado Davi: "O Senhor escolheu para Si um homem segundo o seu coração" (1 Sm 13, 14).
Varão justo por Excelência
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Deus concedeu a São José todas as graças
já desde a infância: piedade, virgindade,
prudência, perfeita fidelidade ...
Levando em conta o axioma latino: "nemo summus fit repente" e o acertado dito de Napoleão: "a educação de uma criança começa cem anos antes de ela nascer", é provável que, em atenção à sua missão e ao seu papel de educador junto ao Menino-Deus, José tenha sido santificado já no seio materno, como o foi João Batista no ventre de Santa Isabel. Essa tese é defendida por diversos autores e pode sintetizar- se nas palavras de São Bernardino de Sena: "Sempre que a graça divina escolhe alguém para algum favor especial ou para algum estado elevado, concede-lhe todos os dons necessários à sua missão; dons que a ornam abundantemente".
O louvor de José, tal como o Evangelho no-lo traça, encerra-se numa única e breve frase: era justo. Tal elogio, à primeira vista de um laconismo desconcertante, nada tem de medíocre. Na linguagem bíblica, o adjetivo "justo" designa todas as virtudes reunidas. No Antigo Testamento, justo é aquele a quem a Igreja dá o nome de santo: justiça e santidade exprimem a mesma realidade.
O próprio silêncio das Escrituras a seu respeito nos revela um aspecto primordial de sua perfeição: a contemplação. São José é o modelo da alma contemplativa, mais desejosa de pensar que de agir, embora seu ofício de carpinteiro o levasse a consagrar tanto tempo ao trabalho. Nele vemos realizar-se o ensinamento de São Tomás: a contemplação é superior à ação, porém, mais perfeita ainda é a junção de uma e de outra numa mesma pessoa.
Ao serrar a madeira, fabricar um móvel ou um arado, José mantinha sempre seu espírito voltado para o sobrenatural, elevando-se para o aspecto mais sublime das coisas e considerando tudo sob o prisma de Deus. Suas atitudes refletiam a seriedade e a altíssima intenção com a qual sempre agia, e isso contribuía para o maior primor dos trabalhos por ele executados.
Sua humilde condição de trabalhador manual em nada lhe diminuía a nobreza. Reunia em si, de forma admirável, as duas classes sociais: como legítimo herdeiro do trono de Davi, conservava em seu porte e semblante a distinção e a elegância próprias a um príncipe, aliando-as, porém, a uma alegre simplicidade de caráter. Para ele, mais importante do que a nobreza de sangue é aquela que se alcança pelo brilho da virtude; e esta, ele a possuía largamente.
 A Providência, entretanto, o destinava a alcançar a mais alta honra que se possa dar a uma criatura concebida no pecado original e o colocava em desproporção com todo o restante dos homens. Diz São Gregório Nazianzeno: "O Senhor conjugou em José, como num sol, tudo quanto os outros santos têm, em conjunto, de luz e de esplendor".
Todas as glórias acumulam-se neste varão incomparável, cuja existência terrena transcorre dentro de uma sublimidade ignorada por seus conhecidos e compatriotas, num silêncio e apagamento quase completos.
Admirável consonância entre duas almas virgens
No Antigo Testamento, a virgindade ainda não adquirira o prestígio do qual passou a gozar na Era Cristã. Muito pelo  contrário, quem não constituísse família, ou se visse impossibilitado de gerar filhos, era considerado maldito por Deus. "A espera do Messias dominava a tal ponto os espíritos, que o desprezo do casamento equivalia a uma recusa desonrosa de contribuir para a vinda d'Aquele que havia de restaurar o reino de Israel" (1). De acordo com a opinião generalizada, José, movido por uma especial moção do Espírito Santo, decidira permanecer virgem por toda a vida. Porém, não querendo singularizar- se, contrariando os costumes de seu tempo, resignara-se a contrair matrimônio, convencido de que o Senhor, tendo lhe inspirado esse bom propósito, o ajudaria a levá-lo a cabo.
Cedendo, pois, às exigências sociais, resolveu pedir a mão de Maria, a qual ele provavelmente já conhecia, pois ambos pertenciam à mesma tribo e habitavam na mesma aldeia. Tudo indica que naquela época os pais de Maria haviam falecido e Ela vivia sob a tutela de algum parente. Sem levar em conta a opinião da jovem, seu tutor apenas Lhe comunicou ter aceito o pedido de um pretendente a ser seu marido.
É sabido que Maria, desde a infância, consagrara ao Senhor sua virgindade. Entretanto, acostumada a obedecer, inclinou-Se ante a decisão de seus parentes, acreditando ser essa a manifesta vontade da Providência. Se conservava algum receio, deve este ter-se dissipado quando soube que o escolhido era José, o nobre descendente da estirpe de Davi, em cuja alma Ela já vira, por seu aguçado dom de discernimento, as altíssimas qualidades postas por Deus.
Antes dos esponsais, Maria precisava dar a conhecer ao seu noivo o voto de virgindade, sob pena de o matrimônio ser nulo. Fê-lo de forma séria e decidida, falando com toda a simplicidade de seu inocente coração. José pensou estar ouvindo uma voz do Céu e reconheceu, emocionado, a mão da Providência atendendo às suas preces. É impossível ter idéia do grau de concórdia dessas duas almas, ao se revelarem mutuamente seus mais íntimos mistérios. Desde esse instante, José passou a ser o modelo perfeito do devoto de Nossa Senhora.
Podemos bem imaginar que, já nesse primeiro encontro, a graça o tocou de maneira especial, levando-o a consagrar-se como escravo de amor Àquela que, mais do que esposa, já considerava como Senhora e Rainha.
Proporcionado a Jesus e Maria
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Matrimônio de Nossa Senhora
e São José
O contrato matrimonial deveria ser acertado entre as duas famílias.
Um ponto ao qual se costumava dar escrupulosa importância, sobretudo entre pessoas de nobre origem, era a igualdade de condições. Tanto Maria quanto José eram da tribo de Judá e descendentes de Davi. Mais, porém, do que qualquer requisito social, sobre aquele matrimônio pairava, desde toda a eternidade, um desígnio divino. Para a realização da vontade do Altíssimo, deveria o esposo ser proporcionado à esposa, o pai ao filho, a fim de sustentar com toda dignidade a honra de ser pai adotivo de Deus. E houve só um homem criado e preparado para essa missão, inteiramente à altura de exercê-la: São José. Ele estava na proporção de Jesus Cristo e de Maria Santíssima.
Para fazermos uma idéia exata da magnitude de sua personalidade, devemos imaginá-lo como sendo uma versão masculina de Nossa Senhora, o homem dotado de sabedoria, força e pureza bastantes para governar as duas criaturas mais excelsas saídas das mãos de Deus: a Humanidade santíssima de Nosso Senhor e a Rainha dos anjos e dos homens.
Em Israel os esponsais equivaliam juridicamente ao casamento de hoje.
A partir dessa cerimônia - na qual o noivo colocava um anel de ouro no dedo de sua prometida, dizendo: "Este é o anel pelo qual tu te unes a mim diante de Deus, segundo o rito de Moisés" - ambos passavam a pertencer de forma irrevogável um ao outro e a partir de então se consideravam esposos. Contudo, a coabitação era em geral adiada pelo prazo de um ano, para dar tempo à esposa de completar o enxoval e ao marido de preparar a casa. Maria e José, fiéis cumpridores da Lei, ativeram-se a todas essas formalidades.
Mas um segredo Divino envolvia seu caso concreto, do qual certamente nenhuma das testemunhas do acontecimento - parentes e amigos - chegou a suspeitar. Ali estavam "duas almas virgens que se prometiam mútua fidelidade, uma fidelidade que consistiria em guardarem ambos a virgindade" (2).
Quanto mais uma pessoa sofre, mais é digna de amor
Nesse intervalo entre os esponsais e as bodas, Maria recebeu a embaixada do Arcanjo Gabriel. O Evangelho de Mateus deixa-o bem claro ao afirmar: "Antes de coabitarem, aconteceu que Ela concebeu por virtude do Espírito Santo" (Mt 1, 18). Supérfluo seria nos estendermos aqui sobre os detalhes da Anunciação e da Encarnação do Verbo, já tão conhecidos e tantas vezes comentados.
Um ponto apenas é preciso deixar bem claro: poucos dias depois desse acontecimento, Maria dirigiu-se apressadamente para o pequeno povoado das montanhas da Judéia onde habitavam seus primos, Zacarias e Isabel.
Boa parte dos comentaristas defende a idéia de que José acompanhou sua esposa na viagem de ida e, transcorridos três meses, foi buscá-La. Tal opinião parece bem fundada, pois a juventude de Maria e as dificuldades de um penoso percurso eram razões de sobra para mover a solicitude de um esposo fiel e zeloso, como era o seu.
Depois do regresso a Nazaré, não tardou ele a perceber os primeiros sinais da gravidez de sua desposada. No começo, relutou em acreditar, julgando-se vítima de uma alucinação.
Passados, porém, alguns dias, não pôde mais duvidar da realidade patente ante seus olhos: Maria trazia uma criança em seu seio.
Nesse momento eclodiu, como violento turbilhão, o drama na vida de São José. Talvez a provação mais terrível que uma mera criatura humana - fazendo abstração da Santíssima Virgem ao longo da Paixão - jamais tenha enfrentado. Essa era, entretanto, a divina vontade do Menino que Se formava nas puríssimas entranhas de Maria. Desejava Ele que seu nascimento viesse com o selo indelével da dor santamente aceita, para dar-nos a lição de que quanto mais uma pessoa sofre, tanto mais é digna de amor. O pai adotivo que escolhera como imagem de seu Pai Celestial, Ele o submetia a uma dura prova, dando-lhe oportunidade de levar seu heroísmo a alturas inimagináveis. Ao mesmo tempo, aparecia com maior esplendor a virgindade de Nossa Senhora.
O herói da fé
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Jamais houve em São José dúvida
quanto à santidade de Maria
A perplexidade de José não consistia, como pensaram alguns Padres antigos, em duvidar da fidelidade de sua esposa. Tal hipótese contunde a nossa piedade, pois desmerece a perfeição eminente alcançada pelo santo Patriarca e, ademais, Deus não permitiria que a honra virginal de Maria pudesse ser ferida por uma suspeita no espírito de José. O texto do Auctor imperfecti exprime com belíssimas palavras a postura dele diante do fato: "Ó inestimável louvor de Maria! São José acreditava mais na castidade de sua esposa do que naquilo que seus olhos viam, mais na graça do que na natureza. Via claramente que sua esposa era mãe e não podia acreditar que fosse adúltera; acreditou que era mais possível uma mulher conceber sem varão do que Maria poder pecar" (3).
Sua angústia tornava-se tanto mais lancinante quanto mais via resplandecer a virtude no rosto angelical de Maria. Por um lado, a evidência saltava- lhe aos olhos, por outro, considerava fora de cogitação a possibilidade de aquela criatura tão inocente ter cometido um pecado. Ora, se a concepção de Maria era obra sobrenatural o que fazia ele ali? Não estaria ofendendo a Deus, intrometendo- se num mistério para ele incompreensível, o qual se lhe afigurava como absolutamente divino? Não seria ele um intruso, atrapalhando os planos do Altíssimo? José não julgou. Suspendeu o juízo da carne ante os inescrutáveis desígnios de Deus. Subjugou a razão humana à fé inabalável e procurou uma saída para o caso, pois, como resume São Tomás. Desde o princípio descartou a hipótese de denunciá-La, como o exigia o Deuteronômio, segundo o qual a mulher deveria sofrer a pena de lapidação. Estava convicto da inocência de Maria e estremecia diante dessa idéia.
Existia também a opção do repúdio: a Lei de Moisés permitia ao homem despedir sua mulher, dando-lhe o libelo de divórcio. Mas essa possibilidade repugnava-lhe igualmente, porque atentaria contra a reputação da Santa Virgem. Numa pequena aldeia, onde todos os habitantes se conheciam, tal atitude daria margem a suspeitas sobre o comportamento de Maria: por qual motivo o marido A teria afastado de repente? No futuro, a Virgem traria sempre a marca de uma mulher rejeitada.
A solução encontrada por José não se achava nos livros da Lei, mas partiu de seu coração: "Resolveu deixá- La secretamente" (Mt 1, 19). Agindo assim, salvaguardava a fama de sua esposa, pois Ela seria vista como uma pobre jovem abandonada pela crueldade de um homem sem palavra. A culpa recairia toda sobre ele. Nesse passo de sua vida, José revelou o brilho alcandorado de sua nobre alma, sua sabedoria e sua humildade levadas ao grau heróico.
Com efeito, a ele poderíamos aplicar estas belas palavras de um autor francês: "O herói é um grande coração que se ignora, uma grande alma que se esquece de si mesma. (...) Todas as fraquezas de nossa pobre natureza humana estão concentradas em torno desse egoísmo que faz de cada um de nós o centro do Universo. O herói é aquele que rompeu esse círculo estreito onde todas as naturezas, até mesmo as mais dotadas, vegetam ou se estiolam. Esse "eu" que em alguns é rei, nele, durante toda sua vida, permanece escravo" (4).
Esqueceu-se completamente de si, preferindo desacreditar-se diante da opinião pública, a ver o prestígio de Maria manchado. Além do mais, renunciava também à sua própria felicidade: tinha de abandonar Nossa Senhora, o maior tesouro da terra. Isso era um sofrimento imenso, pois para ele o convívio com Maria significava um verdadeiro Paraíso.
D'Ela aprendera, nos seus gestos mais simples, lições excelsas de sabedoria e de bondade; ao contemplá-La, sentia-se mais próximo de Deus. E via-se agora obrigado a sacrificar aquilo que mais apreciava em sua vida! Passaria seus dias longe, venerando um mistério que não entendera.
Durante alguns dias, José maturou sua resolução, decidido a pô-la em prática. Numa noite enevoada e sem lua encontrou ocasião propícia, preparou seus pobres pertences e deitou-se para refazer as forças antes da partida. Pouco a pouco, por uma ação angélica, seu coração aflito serenou e ele adormeceu profundamente.
Como outrora com Abraão, o Senhor esperara até o último instante para deter o golpe fatal. No meio da noite apareceu-lhe um anjo, anunciando: "José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que n'Ela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo de seus pecados" (Mt 1, 20-21).
"Os que semeiam entre lágrimas, recolherão com alegria" (Sl 125, 5)
É impossível medir o gozo de José ao despertar do sonho. Logo ao alvorecer, correu a encontrar-se com sua esposa. Mas como se sentia agora mais tomado pela veneração e ternura que culminavam no ardoroso desejo de servi-La! Certamente nada disse a Maria, mas a alegre expressão do seu semblante era mais eloqüente do que as palavras.
De joelhos, adorou a Deus no seio virginal de sua Mãe, primeiro tabernáculo no qual Se dignara habitar sobre a terra. Um Deus que também era seu filho, pois os dizeres do anjo manifestavam com clareza a autoridade a ele outorgada sobre o fruto de sua esposa: "um filho a quem porás o nome de Jesus".
Paternidade nova, única e especial
A paternidade de São José em relação a Cristo tem sido um tema muito discutido pelos autores. Os títulos multiplicam-se: pai legal, pai putativo, pai nutrício, pai adotivo, pai virginal...
Cada um deles define aspectos parciais e incompletos, sem chegar a exprimir por inteiro a paternidade deste varão excepcional. O Pe. Bonifácio Llamera OP parece ter chegado a uma conclusão satisfatória: "A paternidade de São José em relação a Jesus é certamente distinta de qualquer outra paternidade natural, seja física ou adotiva. É verdadeira paternidade, mas muito singular. É uma paternidade nova, única e especial, pois não procede da geração segundo a natureza, mas está fundada num vínculo moral inteiramente real.
E tão real é esta paternidade singular como é verdadeiro o vínculo matrimonial entre Maria e José. (...) "Esta paternidade de São José, tão admirável como difícil de expressar numa palavra, é confirmada e esclarecida pelos Santos Padres e autores de obras sobre o santo Patriarca, os quais concentraram em três vínculos principais a subtil realidade que une São José a Jesus: o direito, que é conjugal; a virgindade e a autoridade que adornam o mistério de São José" (5).
Na encíclica Quamquam pluries, o Papa Leão XIII afirmou: "É verdade que a dignidade da Mãe de Deus é tão alta que nada a pode ultrapassar. Porém, como existe entre a Virgem e São José um laço conjugal, não há a menor dúvida de que ele se aproximou mais do que ninguém dessa dignidade super eminente que coloca a Mãe de Deus muito acima de todas as criaturas."
Uma criatura dando conselhos ao Criador...
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Em São José de tal maneira brilha a chama
da caridade, um tão intenso amor a Deus, 
uma vida interior tão admirável, 
que ele se tornou objeto das 
complacências do próprio
Deus Encarnado
Quantas vezes teve São José nos braços o Divino Infante? O dia inteiro no convívio com o Menino Jesus, observando-O rezar, falar, fazer todos os atos de sua vida comum...
Nessa contemplação constante, para a qual ele tinha uma alma maravilhosamente apta, recebia graças extraordinárias e se deixava modelar. Por vezes, o Menino parava diante dele e dizia: "Peço-vos um conselho: como devo fazer tal coisa?" E São José se comovia, considerando que quem estava lhe pedindo um conselho era o próprio Filho de Deus! A esse homem a Providência concedeu lábios suficientemente puros e humildade bastante grande para fazer essa coisa formidável: responder a Deus.
A criatura plasmada pelas mãos do Criador dava-Lhe conselhos! Ele foi o predestinado para exercer uma verdadeira autoridade sobre Nossa Senhora e o Menino Jesus, o privilegiado que alcançou uma altíssima intimidade com Jesus e Maria, o bem-aventurado a quem foi outorgada a graça de expirar entre os braços de Deus, seu Filho, e da Mãe de Deus, sua Esposa!
"Ao vencedor concederei assentar-se comigo no meu trono" (Ap 3, 21)
"Não separe o homem o que Deus uniu" (Mt 19, 6). Se, ao longo de sua existência terrena, José foi o inseparável companheiro da Virgem Maria, partilhando suas dores e alegrias, é inconcebível que na eternidade essa convivência não tenha atingido sua plenitude.
Ora, para o convívio ser perfeito, é necessário estar juntos e olhar-se. Por esta razão, uma forte corrente de teólogos defende a tese de que "sem a assunção gloriosa de José em corpo e alma, a Sagrada Família reconstituída no Céu teria tido uma nota discordante na sua exaltação e glória" (6).
A esse respeito, afirma São Francisco de Sales: "Se é verdade o que devemos acreditar, que, em virtude do Santíssimo Sacramento que recebemos, os nossos corpos hão de ressuscitar no dia do Juízo Final, como podemos duvidar de que Nosso Senhor tenha feito subir ao Céu, em corpo e alma, o glorioso São José, o qual teve a honra e a graça de trazê-Lo tantas vezes em seus braços benditos? Não resta dúvida, pois, de que São José está no Céu em corpo e alma".
Morte de São José
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Por ter falecido nos braços de Jesus e Maria, São José é o
padroeiro da boa morte. Pois se julga, e com razão, que
ninguém foi tão bem assistido como ele em seus
últimos momentos.
Por ter falecido nos braços de Jesus e Maria, São José é o padroeiro da boa morte. Pois se julga, e com razão, que ninguém foi tão bem assistido como ele em seus últimos momentos.
Quase se poderia dizer que por isso o termo de sua vida foi tão suave e consolador que dele esteve ausente qualquer sofrimento ou angústia.
No entanto, não podemos esquecer que para José esta foi a suprema perplexidade de sua existência terrena. Pois, ao falecer, separava-se do convívio inefável com sua virginal esposa e com Jesus, o Filho de Deus. José partia para a Eternidade, deixando na terra o seu Céu...
A consideração do exemplo e dos preciosos dons concedidos por Deus ao pai adotivo de Jesus nos leve a confiar na poderosa intercessão daquele a quem o próprio Filho de Deus obedeceu: "E era-Lhes submisso" (Lc 2, 51).
"O exemplo de São José - afirmou o Papa Bento XVI na comemoração de sua festa litúrgica - é para todos nós um forte convite a desempenhar com fidelidade, simplicidade e humildade a tarefa que a Providência nos destinou. Penso antes de tudo, nos pais e nas mães de família, e rezo para que saibam sempre apreciar a beleza de uma vida simples e laboriosa, cultivando com solicitude o relacionamento conjugal e cumprindo com entusiasmo a grande e difícil missão educativa. Aos sacerdotes, que exercem a paternidade em relação às comunidades eclesiais, São José obtenha que amem a Igreja com afeto e dedicação total, e ampare as pessoas consagradas na sua jubilosa e fiel observância dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência.
Proteja os trabalhadores de todo o mundo, para que contribuam com as suas várias profissões para o progresso de toda a humanidade, e ajude cada cristão a realizar com confiança e com amor a vontade de Deus, cooperando assim para o cumprimento da obra da salvação" 22. (Fonte: Revista Arautos do Evangelho, Março/2007, n. 63, p. 18 à 23).



Conheça um pouco sobre a Vida de São José

A VIDA DE SÃO JOSÉ

José nasceu provavelmente em Belém, o pai se chamava Jacó (Mt 1,16) e parece que ele fosse o terceiro de seis irmãos. A tradição nos passa a figura do jovem José como um rapaz de muito talento e de temperamento humilde, manso e devoto.

José era um carpinteiro que morava em Nazaré. Com a idade de mais ou menos 30 anos foi convocado pelos sacerdotes do templo, com outros solteiros da tribo de David, para se casar. Quando chegaram ao templo, os sacerdotes colocaram sobre cada um dos pretendentes um ramo e comunicaram que a Virgem Maria de Nazaré teria se casado com aquele em que o ramo se desenvolvesse e começasse a germinar.

Maria, com a idade de 14 anos, foi dada em casamento a José, todavia ela continuou a morar na casa da familia em Nazaré da Galileia ainda por um ano, que era o tempo pedido pelos Ebreus, entre o período do casamento e a entrada na casa do esposo. Foi alí, naquele lugar, que recebeu o anúncio do Anjo e aceitou: "Eis-me, sou a serva do Senhor, aconteça a mim aquilo que disseste" (Lc 1,38).

Como o Anjo lhe havia dito que Isabel estava grávida (Lc 1,39), pediu a José para acompanhá-la a casa da sua prima que estava nos seus últimos três meses di gravidez. Tiveram que enfrentar uma longa viagem de 150 km porque Isabel morava a Ain Karim na Judéia. Maria ficou com ela até o nascimento de João Batista.

Maria, voltando da Judéia, colocou o seu esposo diante a uma maternidade que ela não podia explicar. Muito inquieto José combateu contra a angústia do suspeito e meditou até de deixá-la fugir secretamente (Mt 1,18) para não condená-la em público, porque era um esposo justo. Na verdade, denunciando Maria como adultera a lei previa que fosse lapidada e o filho do pecado morresse con ela (Levitino 20,10); Deuteronomio 22,22-24).

José estava para atuar esta idéia quando um Anjo apareceu em sonho a fim de dissipar os seus temores: "José, filho de David, não temer de casar com Maria, tua esposa, porque aquele que foi generado nela, vem do Espirito Santo" (Mt 1,20). Todos os turbamentos sumiram e não só, antecipou a cerimonia da festa de ingresso na sua casa con a esposa.

Com ordem de um edito de César Augusto que ordenava o censimento de toda a terra (Lc 2,1), José e Maria partiram para a cidade de origem da dinastia, Belém. A viagem foi muito cansativa, seja pelas condições desastrosas, seja pelo estado de Maria já próxima à maternidade.

Belém naqueles dias era cheia de estrangeiros e José procurou em todas as locandas, um lugar para a sua esposa mas as esperanças de encontrar uma boa acolhença foram frustradas. Maria deu a luz ao seu filho em uma gruta na periferia de Belém (Lc 2,7) e alguns pastores correram para visitá-la e ajudá-la.

A lei de Moisés prescrivia que a mulher depois do parto fosse considerada impura, e ficasse 40 dias segregada se tivesse partorido um macho, e 80 dias se uma femea, e depois deveria se apresentar ao templo para purificar-se legalmente e fazer uma oferta que para os pobres era limitada a duas rolas e dois pombos. Se o menino era primogenito, ele pertencia pela lei ao Dio Jahvé. Vindo o tempo da purificação, eles vão ao templo para oferecer o primogenito ao Senhor. No templo encontraram o profeta Simeão que anunciou a Maria: "e também a ti uma espada traspassarà a alma" (Lc 2,35).

Chegaram depois os Magos do oriente (Mt 2,2) que procuravam pelo recém nascido Rei dos Judeus. Vindo ao conhecimento disto, Herodes teve um grande medo e procurou com todos os meios de saber onde estava a criança para poder eliminá-la. Os Magos entanto encontraram o menino, estiveram em adoração e ofereceram os dons dando tranquilidade à Santa Familia.

Depois que eles partiram, um Anjo do Senhor, que apareceu a José, o convidou a fugir: "Levanta-te, pega o menino e a sua mãe e foge para o Egito, e fica lá até que não te aviso quando voltar; porque Herodes está procurando o menino para matá-lo. (Mt 2,13).


José foi logo embora com a familia (Mt 2,14) para uma viagem de mais ou menos 500 km. A maior parte do caminho foi pelo deserto, infestado da numerosas serpentes e muito perigoso por causa dos brigantes. A S. Familia teve assim que viver a penosa experiencia de prófugos longe da própria terra, para que acontecesse, quanto tinha dito o Senhor por meio do Profeta (Os XI,1): "Eu chamei o filho meu do Egito" (Mt 2,13-15).

No mês de Janeiro do ano 4 a.C., imediatamente depois da morte de Herodes, um Anjo do Senhor apareceu em sonho a José no Egito e lhe disse: "Levanta-te, pega o menino e sua mãe e vai na terra de Israel; na verdade morreram aqueles que procuravam matar o menino" (Mt 2,19). José obedeceu às palavras do Anjo e partiram mas quando chegou a eles a notícia que o sucessor de Herodes era o filho Archelao teve medo de ir embora. Avisado em sonho, foi embora da Galileia e foi morar em uma cidade chamada Nazaré, porque assim aconteceria quanto foi dito pelos profetas: "Ele serà chamado Nazareno" (Mc 2,19-23).

La S. Familia, como cada ano, foi a Jerusalém para a festa da Pascoa. Passado os dias de festa, retornando a casa, acreditavam que o pequeno Jesus de 12 anos fosse na comitiva. Mas quando souberam que não era com eles, iniciaram a procurá-lo desesperadamente e depois de três dias, o encontraram no templo, sentado no meio dos mestres, enquanto os escutava. Ao verem ele, ficaram perplexos e sua mãe lhe disse: "Filho, porque nos fez isto? Eis, teu pai e eu, angustiados te estavamos procurando". (Lc 2,41-48).

Passaram outros vinte anos de trabalho e de sacrifício para José, sempre perto a sua esposa e morreu pouco antes que seu filho iniciasse a predicação. Não viu a paixão de Jesus no Golgota provavelmente porque não teria podido suportar a atroz dor da crocificação do Filho tanto amado.

JOSÉ, PAI TERRENO


José foi o pai terreno de Jesus e como tal teve que providenciar às necessidade da familia, tutelar e crescer o seu filho adotivo, sempre pronto a satisfazer os desejos de Deus conhecendo, em parte, alguns do seus desenhos.

Ele fez o impossível para que não faltasse nada à famiglia e como pai, para ensinar as coisas da vida ao seu filho. Deus não o deu um pai qualquer, ma uma alma pura, para que fosse de ajuda a uma candida esposa e a um Deus encarnado.

Muitas pessoas não consideram aquela que foi a sua incumbência: nunca discutiu as ordens recebidas no sono ou através dos mensageiros de Deus, mas obedecia fielmente, mesmo que isto o levasse a abandonar tudo aquilo que tinha realizado naquele momento; as amizades, os bens e a segurança social para enfrentar o desconhecido.

A sua fé era tanta que não teve dúvidas ou incertezas, foi aonde Deus o enviava com o seu fardel, com os seus tesouros constituídos de uma exile mãe e da um pequenino antes e da um rapaz depois. Como pai não se opôs, mas aceitou, as Divinas vontades e no seu animo ardente abençoou este seu filho, a fim de que anunciasse com a palavra; e no mundo acontecesse os desenhos do Pai.

Foi um trabalhador exemplar, um exemplo da seguir, conduziu a familia em um porto seguro e soube guiá-la aos lidos e portos reparados, mesmo que fora as águas fossem turbolentas. Soube ser um digno companheiro para a sua esposa e se amaram com sentimentos tão puros que encantavam os Anjos dos Céus.

Oh! Vós pais, seguis os ensinamentos deste homem que soube construir uma familia humana; aplicou todas as virtudes de que era capaz com a sua alma ardente de amor. Somente o amor e a fé lhe permitiram, no caminho da sua vida, de superar grandes obstáculos, o peso humano, o sustentamento, era quase tudo nas suas costas e isto Ele ofereceu alegremente ao seu filho que tanto adorava.

Muitos não dão a devida importancia que ele teve nos desenhos de Deus: mas podia Deus dar a uma qualquer alma a responsabilidade de pai terreno? Ou na sua Omnisciência escolheu uma alma eleita? E no céu lhe foi designado o lugar que lhe era devido. Apelais tranquilamente a Ele, a fim de que possa interceder por vós em todos as vossas necessidades. Pela sua fidelidade e pelo seu amor lhe foi dada a potência de intercessão e de graça para todas as vossas necessidades. Seja para vós um modelo constante.

Se voçes souberem seguir como pais de familia as suas pegadas, voçes poderão serem alegres nas vossas familias e serão olhados bonariamente do céu, a graça e a benção descerá sobre vós e sobre as vossas familias. Serão modelos de fidelidade que aquecerà de amor, não somente a vossa familia, mas todos aqueles que, perdidos e desesperados, desejam apoiar-se e esperar nos exemplos coerentes. Tenham confiança Nele dentro da vossa familia, pedindo ajuda. Rezais para que caia sobre vós as virtudes tanto necessárias para a vossa salvação.

A SANTA FAMÍLIA – MODELO IDEAL


José acolheu com delicadeza esse grande sentimento e respondeu com o mesmo amor. O amor entre eles era tão sublime que já podia pertencer ao nível dos anjos. José nunca reclamou para si satisfações humanas, sempre disponível a advinhar os desejos de Maria Santissima, era sempre pronto a todas as necessidades.

José sentiu muita alegria a ver o seu filho crescer, dia após dia, abraçando-o, sabendo bem quem ele era. Com amor ele cuidava de toda a família, não economizando fadiga.

Quando chegou o tempo de fugir para o Egito, não teve dúvidas ou tenteamentos, deixou tudo aquilo que tinha, inclusive a segurança de como manter a família, para salvar seu filho. Muitos não dão o devido valor do seu papel como pai e todo o seu empenho para com a familia.

Mestre de integridade, José soube ser um exemplo para todos os pais de família, demonstrou que era possível amar ardentemente, mas de um amor para com o núcleo familiar sem pretender nada para si: a alegria era a luz reflexa do perfume das virtudes.

Cada família deveria pegar como exemplo esta Santa Família daquela época. Quantos casais interpretam o próprio papel como o mais importante, desenvolvendo o amor egoístico para o proprio prazer; assim acusam o outro, enquanto não fazem nada para compreende-lo.

Os filhos são como botões de rosas. E’ necessário que o jardineiro as regue adequadamente e o sol as aqueça, a fim de que com o tempo a flor se abra no seu esplendor emitindo o seu suave perfume. Mas se os botões veem abandonados, as ervas daninhas procurarão sofocá-los e a falta de água, antes ou depois, os farão morrer; para eles não tem saída, sózinhos não conseguirão sobreviver.

Assim é para os nossos meninos, eles são belissimos botões che atendem de abrir-se; é necessário porém regá-los com a luz da verdade e aquecê-los com o sol do amor. Voçes devem dedicar muito cuidado a eles, a fim de que as ervas daninhas dos vícios e das falsas inclinações não os sufoquem. Mas se de um lado voçes devem se preocupar pelo crescimento humano deles, do outro lado voçes devem se empenhar pelo crescimento espiritual e moral deles, para transferir aquela luz que permitirá a eles de caminhar em direção à justa estrada. Quantas mães e pais não fazem faltar nada ao filho, doando até o supérfluo, achando que assim estão doando a ele, a felicidade.

No dias de hoje, quantos são numerosos os rapazes, os meninos infelizes que atendem dos pais a única coisa preciosa, o amor, o afeto e um guia seguro para o caminho a seguir.

A família é o amor conjugal que recai sobre os filhos e se fecha no núcleo familiar. O botão se transforma em flor, alimentado pelo amor dos pais, o seu perfume será mais ou menos intenso na proporção das virtudes que se conseguiu cultivar juntos.

Família, sublime oportunidade de crescimento para todos os seus membros, é o amor que chama amor e no amor a alegria de doar e de ver os frutos. Se as vezes a fadiga fará descer lágimas de suor, serão gotas para alimentar a vontade de proseguir e crescer juntos.

Se um dos membros não quer exercitar o seu dever ou é incapaz de doar porque está ainda fechados no seu egoismo, pouco importa aos outros membros que sabem amar, o ajudarão a crescer.

Maria e José eram unidos dolcemente na alegria e na dor pelo seu filho tão amado que se entregaram de corpo e alma: Jesus era o sol deles. Souberam acudir docemente o botão deles, regando dia após dia com as suas virtudes e aquecendo-o com o amor deles. Devemos fixar eles com confiança, devemos pedir ajuda e eles virão a nós como se fossemos seus filhos, nos ampararão e nos darão o desejo de crescer e de acudir os nossos botões, se tivermos. Nos farão experimentar na família aquele desejo de amar que somente os anjos possuem.

A SANTIDADE DE JOSÉ


José conhecia perfeitamente a santidade de Maria e o propósito de virgindade perpétua.


Por isso quando veio ao conhecimento da sua gravidez, não a considera uma pecadora-adúltera, nem a expôs à lapidação prescrita.(Levitico 20,10; Deuteronomio 22, 22-24). Ele que acreditava na virtude de Maria, teria deixado de ser justo (Mateus 1,19) se a tivesse feito lapidar.


Mas José, antes da aparição angélica (Mateus 1, 20-23) não conhece a causa pelo qual a sua esposa está grávida e não sabe explicar o acontecido.


E’ Deus que por meio de um Anjo, em sonho, diz a José de não mandar embora a sua esposa e de casar com ela tranquilamente, porque a Sua maternidade não deve ser atribuída a ninguém se não ao próprio Deus.


A santidade de José, isto é, do justo que cai em qualquer imperfeição logo ressurge (Provérbios 24,16), risplende imediatamente de maior viva luz:


Por ter logo obedecido ao Anjo (Mateus 1,24);
por ter logo deciso de fazer em tudo a vontade de Deus (Mateus 1,24).


A santidade de Maria resplende de especial luz nesta terrível circunstância:


Para obedecer a Deus, que queria reservar-se de manifestar a José o inexplicável mistério, nada disse ao seu esposo, mesmo sofrendo muito pelo prolongado e ardente sofrimento do seu esposo e para o perigo "que um justo faltasse, ele que nunca faltava..."


Verdadeiramente, Maria e José, também naquela dolorosa circunstância, parecem "...dois santos que maiores no mondo não tem"

A DOR DE JOSE’


Diz Maria:

A infância, a adolescência e a juventude do meu Filho tiveram somente breves períodos no vasto quadro da sua vida descrito dos Evangelhos. Nestes Ele é o Mestre. Aqui está o Homem.

E’ o Deus que se humilha pelo amor do homem. E que também faz milagres no anulamento de uma vida comum. Ele o faz em mim, que sinto levada à perfeição a minha alma a contacto con o Filho que me cresce dentro. O faz na casa de Zacaria santificando o Batista, ajudando o parto de Isabel, transmitindo palavra e fé a Zacaria. O faz em José abrindo-lhe o espírito à luz de uma verdade tão grande que ele não a podia sozinho compreender apesar de ser um justo. E depois de mim aquele que teve tantos divinos benefícios foi José.

Observa quanto caminho faz, caminho espiritual, do momento que vem à minha casa até aquele da fuga no Egito. No início era só um homem justo do seu tempo. Depois sucessivamente se transforma no justo do tempo cristão.

Ele sempre se deixou guiar pelo respeito imenso que nutria por mim. Agora guia ele, as coisas materiais e aquelas superiores, e decide, como chefe da Família, aquilo que é a decidir. Não só, na hora da fuga, depois que meses de união com o Filho Divino o saturaram de santidade, é ele que conforta o meu penar e me diz: "Mesmo que não devéssemos ter mais nada teremos sempre tudo porque teremos Ele".

Os presentes dos Magos logo foram gastos com a compra de um lugar para morar e daquele mínimo de coisas necessárias para viver até que não encontrássemos trabalho.

A comunidade ebraica sempre se ajudou muito entre eles. Mas a comunidade recolhida no Egito era quase toda composta de prófugos perseguidos, pobres por isso como nós que vínhamos nos unir a eles. E um pouco daquela riqueza, que querímos conservar para Jesus, para o nosso Jesus adulto, salvando das despesas de sustentação no Egito, serviu para o retorno e apenas suficiente para reorganizar casa e laboratório a Nazaré na nossa volta. Porque as coisas mudam, mas a avidade humana é sempre igual e se aproveitam das necessidades das pessoas para ganharem o que querem.

Não. Ter Jesus com nós não nos trouxe bens materiais. Muitos de voçes pretendem isto quando apenas estão um pouco unidos a Jesus. Esquecem que Ele disse: "Procurem as coisas do espírito". Todo o resto é a mais. Deus provê até o alimento. Aos homens como aos pássaros. Porque sabe que voçes teem necessidade de alimento até que a carne seja armadura das almas de voçes. Mas voçes devem pedir antes a sua graça. Devem pedir antes para o seus espíritos.

José da união com Jesus teve, humanamente falando, afanos, fadigas, perseguições, fome.

Outra coisa não teve. Isso era somente para Jesus e tudo isto se transformou em paz espiritual, em letícia sobrenatural. Eu gostaria de levar-vos ao ponto em que era o Esposo meu quando dizia: "Mesmos que não devéssemos ter mais nada, teremos sempre tudo porque temos Jesus."

MARIA NA MORTE DE JOSÉ SOFREU TERRÍVELMENTE


Disse Jesus:

A todas as esposas que teem uma dor que as torturam, ensino a imitar Maria na sua viuvez: unir-se a Jesus.


Aqueles que pensavam que Maria amasse o esposo com um amor tépido, porque ele era esposo de espírito e não de carne, erram. Maria amava intensamente o seu José, o qual tinha dedicado 30 anos de vida fiel. José lhe foi pai, esposo, irmão, amigo, protetor.


Agora Ela se sentia sózinha como ramo de uva ao qual vem cortado da árvore que pertencia. A sua casa era como fosse pega por um raio. Se dividia. Antes era uma unidade cujos membros se ajudavam entre eles. Agora vindo a faltar o muro principal, o primeiro dos golpes dados àquela Familia, marcado do próximo abandono do seu amado Jesus.


A vontade do Eterno, que a quis esposa e Mãe, agora lhe impunha viuvez e abandono da sua Criatura. Maria disse entre as lágrimas um dos seus sublimes "Sim". "Sim, Senhor, se faça de mim segundo a tua palavra".


E para ter força naquela hora, se abraçou a mim. Sempre se entregou a Deus, Maria, nas horas mais graves da sua vida. No Templo quando foi chamada ao matrimonio, a Nazaré chamada à Maternidade e ainda a Nazaré entre lágrimas como viúva, a Nazaré no suplício do destaque do Filho, no Calvário na tortura de ver-me morrer.


Aprendeis, vós que chorais. E aprendeis vós que morreis. Aprendeis, vós, que viveis para morrer. Procurais merecer as palavras que disse a José. Serão a vossa paz na luta com a morte. Aprendeis, vós que morreis, a merecer de ter Jesus perto, para o vosso conforto. E se não tenhais merecido, ousais igualmente a chamar-me. Eu virei. As mãos cheias de graças e de conforto, o Coração cheio de perdão e de amor, os lábios cheios de palavras de absolução e de encorajamento.


A morte perde qualquer amargura se acontece nos meus braços.
Deveis acreditar. Não posso abolir a morte, mas a faço suave a quem morre confiando em Mim.

JOSÉ NO CATEQUISMO DA IGREJA CATÓLICA

"O anúncio do anjo a José"

- Parte I, seção II, capítulo II, artigo II, parágrafo II

497 Os contos evangélicos. 1. considerando a concessão virginal uma obra divina que supera qualquer compreensão e qualquer possibilidade humana: 2. «Aquele que é gerado nela vem do Espírito Santo», disse o anjo a José em relação a Maria, sua esposa (Mt 1,20). A Igreja vê nisso o exito da promessa divina feita pela boca do profeta Isaia: «Eis, a virgem conceberá e partorirá um filho» (Is 7,14), segundo a versão grega di (Mt 1,23).

1. cfr Mt 1.18-25; Lc 1,26-38
2. cfr Lc 1,34.


- Parte III, seção I, capítulo I, artigo VIII, parágrafo I.

1846 O evangelho é a revelação em Jesus Cristo, da misericórdia de Deus para com os pecadores. 106 O anjo o anuncia a José: «Tu o chamarás Jesus: pois ele salvará o seu povo dos seus pecados» (Mt 1,21). A mesma coisa se pode dizer da Eucaristia, sacramento da redenção: «Este é o meu sangue da aleança, derramado por muitos, em remissão dos pecados» (Mt 26,28).


DECRETO QUE PROCLAMOU SÃO JOS É PADROEIRO DA IGREJA

Ao Urbe e ao Orbe.

No mesmo modo que Deus tinha constituído aquele José, procriado pelo patriarca Jacò, subintendente a toda a terra do Egito, para conservar o trigo ao povo, assim, ameaçando a fartura dos tempos, estando per mandar sobre a terra o seu Filho Unigenito Salvador do mundo, Escolheu um outro José, cujo aquele era figura e o fez Senhor e Principe da casa e possessão sua e o elegeu Custode dos seus principais tesouros.

De fato, ele teve em esposa a Imaculada Virgem Maria, da qual nasce do Espírito Santo o Senhor Nosso Jesus Cristo que perto aos homens dignou-se de ser chamado filho de José. E Aquele, que tantos reis e profetas tremiam para ver, José não só O viu, mas con Ele viveu e con paterno afeto O abraçou e beijou; e ainda mais, O nutriu cuidadosamente, aquele que o povo fiel teria ingerido como pão descido do céu, para conseguir a vida eterna. Por esta sublime dignidade, que Deus deu a este fiel seu Servo, a Igreja teve sempre in grande honra e louvor o Beatissimo José, depois da Virgem Mãe de Deus, sua esposa, e a sua ajuda implorou nos momentos difíceis.

Agora, como nestes tempos tristíssimos a própria Igreja, da todas as partes atacada pelos inimigos, é tão opressa por graves maldades, que homens empios pensaram ter finalmente as portas do inferno vencido contra ela, por isso os Veneráveis Excelentíssimos Bispos do Universo Orbe Católico entregaram ao Sumo Pontéfice a súplica deles e aqueles dos fiéis pedindo que se dignassem constituir São José, Padroeiro da Igreja Católica. Tendo depois, no Sagrado Ecumenico Concilio Vaticano, insistido renovando os pedidos e os votos deles, o Santíssimo Senhor Nosso Pio Papa IX, consternado pela recentíssimas condições, para a fiar ele mesmo e todos os fiéis ao potentíssimo patrocínio do Santo Patriarca José, quis satisfazer os votos dos Excelentíssimos Bispos e solenemente o declarou Padroeiro da Igreja Católica, ordenando que a sua festa, caído o dia 19 de marzo, dalí para frente fosse celebrada com rito duplo di prima classe, sem oitava, por motivo da Quaresma.

Ele mesmo dispôs que tal declaração, a meio do presente Decreto da Sagrada Congregação dos Ritos *), fosse de dominio público no dia sagrado da Imaculada Virgem Mãe de Deus e Esposa do castíssimo José.


8 dezembro 1870.

Card. PATRIZI
Prefetto della S. C. dei RR.
Vescovo di Ostia e Velletri.

DOMENICO BARTOLINI
Segretario della S. C. dei RR.

MÉRITOS E VANTAGENS DA DEVOÇÃO DE SÃO JOSÉ


Para entender que rica fonte de graças seja a devoção ao glorioso Patriarca São José, são suficientes as seguintes palavras de S. Teresa, que encontrando-se na sua vida:


« Eu não lembro, escreve a Santa, de ter até hoje pedido uma graça a S. José, que ele não me tenha satisfeita. Que lindo quadro eu colocarei aos seus pés, se eu pudesse espor as graças obtidas, com as quais fui benta da Deus e os perigos da alma e do corpo, dos quais fui liberada, mediante a intercessão deste grande Santo! Aos outros Santos, Deus concede somente a graça de socorrer-nos nas nossas necessidades, mas o glorioso S. José, e eu sei por experiência, estende o seu poder a tudo. Experimentaram como eu, outras pessoas, as quais eu tinha aconselhado de implorar a este incomparavel Protetor... Se eu tivesse autoridade de escrever, sentirei um santo prazer em contar particularmente as graças de tantas pessoas, como eu, que são debitoras deste grande Santo. Àqueles que talvez não me acreditem, eu imploro que provem a suplicar este glorioso Patriarca e honorár-lo com especial culto».


Até aqui a Santa e as suas ardentes palavras, moveram certamente em cada um de nós o desejo à devoção deste potente e doce protetor.


Um ilustre escritor resumiu em poucas palavras, as vantagens que se tem com a devoção a S. José:


1° Quem será seu verdadeiro devoto, terá o dom da castidade.

2° Terá ajuda espiritual para abandonar o pecado.

3° Terá particular devoção a Maria Santíssima.

4° Fará uma boa morte e serà defendido naquelas horas extremas.

5° Nao será vencido pelos demonios que temerão o seu nome.

6° Obterá especiais graças tanto para a alma como para o corpo.

7° Terá confiança absoluta em conseguir a graça da perseverança final.

Como último testemunho autorizado, o Pontefice Pio IX, o grande, depois de ter muitas vezes aconselhado a todos à devoção a São José, falava quase profeticamente das vantagens desta devoção: « Não é em vão que Deus penetra na Igreja abundantemente com o espirito da oração. Se reza muito mais e se reza melhor. Os sustentadores da nascente Igreja, Maria e José, reentrem nos corações e ainda uma vez o mundo será salvo».


São José - Nosso querido Padroeiro


Homem que agradou a Deus
Não é sem razão que a Igreja, no meio da Quaresma, tira o roxo no dia 19 de março e coloca o branco na liturgia, para celebrar a festa de São José, esposo da Virgem Maria. Entre todos os homens do seu tempo, Deus escolheu o glorioso São José para ser pai adotivo de seu Filho divino e humanado. E Jesus lhe era submisso, como mostra São Lucas.
Santo Gertrudes (1256-1302), um grande místico da Saxônia, afirmou que “viu os Anjos inclinarem a cabeça quando no céu pronunciavam o nome de São José”.

Santa Teresa de Ávila (1515-1582), a primeira doutora da Igreja, a reformadora do Carmelo, disse: “Quem não achar mestre que lhe ensine a orar, tome São José por mestre e não errará o caminho”. E declarava que em todas as suas festas lhe fazia um pedido e que nunca deixou de ser atendida. Ensinava ainda que cada santo nos socorre em uma determinada necessidade, mas que São José nos socorre em todas.

O Evangelho fala pouco de sua vida, mas o exalta por ter vivido segundo “a obediência da fé” (cf. Rm 1,5). Deus nos dá a graça para viver pela fé (cf. Rm, 5,1.2; Hb 10,38) em todas as circunstâncias. São José, um homem humilde e justo, “viveu pela fé”, sem a qual “é impossível agradar a Deus” (cf. Hab 2,3; Rm 1,17; Hb 11,6).

São José

Dia 19 de março - São José (séc. I)

"Um homem justo!" (Mt 1,19) Com esse adjetivo, o apóstolo Mateus nos apresenta José, esposo de Maria e que teve um papel fundamental na educação familiar do pequeno Jesus. Carpinteiro, José era descendente da tribo de Davi, e acreditou em sua noiva Maria quando esta recebeu a visita do anjo que lhe anunciou a grande notícia do nascimento do Menino. 
Como um bom chefe de família, José a recebeu, dela cuidou e proveu sua casa até em momentos difíceis como o da fuga para o Egito.
O Novo Testamento pouco nos fala de José.  Sua última participação na vida de Jesus está no episódio do sumiço do Menino por três dias no Templo, quando a Família foi à Jerusalém por ocasião da Páscoa (Lc 2, 41-52). 
José, o "pai adotivo" de Jesus deve ser exemplo para todos nós.  Como Maria, talvez entendesse muito pouco sobre a Missão que Deus lhe colocava nas mãos.  Mas, junto com sua esposa, entregou-se totalmente a Deus, sabendo que Ele lhes indicaria o caminho certo a seguir.  A sua presença silenciosa na história não diminui a sua importância: José, o carpinteiro, ensinou ao Filho a sua profissão e, certamente, os valores que trazia em seu coração. 
Por tudo isso, José é patrono da Igreja e padroeiro dos carpinteiros, dos operários, dos pais e da justiça social.


Santificando a vida:
Como cuido das "missões" que Deus coloca em minha vida?
Oração a São José
Lembrai-vos, São José, puríssimo esposo da Virgem Maria, que jamais ouviu dizer que alguém tivesse invocado vossa proteção e implorado a vosso socorro e não fosse por vós consolado.
Com esta confiança, venho à vossa presença e a vós, fervorosamente, me recomendo.
Não desprezeis as minhas súplicas, pai adotivo do Redentor, mas dignai-vos de as acolher piedosamente. Amém.